o que está expresso no protesto dos garis

fui para a reunião noturna do grupo de reforma urbana achando que a gente tinha de pensar no que essa marcha dos garis significa nesse momento. fico lembrando do toni negri falando (num texto antigo, antes de 2000) sobre como desperta o antagonismo das pessoas vivendo numa metrópole, sobre como elas enfrentam a subordinação produtiva e a violência da exploração de um modo renovado – o que depois ele mesmo, Negri, chamaria de novas formas de lutas da multidão. mas o que eu achava quente nessa conversa era a conclusão dele de que a cidade é que é o dispositivo da revolta, do protesto, do antagonismo: a luta se dá PORQUE é urbana. é a complexidade da cidade que abre as linhas de fuga para toda a pobreza urbana – as lutas de quaisquer grupos, os espoliados, os invisíveis, os minúsculos, os supostamente desorganizados , quaisquer estratos da população metropolitana- é aqui que a cidade começa a compreender sua potência. as greves erráticas, imprevisíveis, as de pequena força, são uma nova forma de contrapoder. sua potência está justamente quando alguém lá do outro lado da cidade se dá conta delas ( ” isso aí é a cidade”): são um esquema invertido em relação aos esquemas de controle da metrópole – são momentos de refundação da cidade pra quem vive nela.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s