Tempos de ocupação

Na última semana um garoto morreu na manifestação em Belo Horizonte enquanto o Brasil vencia o Uruguai no Mineirão, na Copa das Confederações. Na assembleia que acontece agora na ocupação da câmara municipal uma moça sugere que o viaduto tenha como novo nome, Douglas Henrique de Oliveira. A questão da violência da polícia militar é retomada algumas vezes na fala dos manifestantes. Importante lembrar que foi ela, a violência policial, que mobilizou e fortaleceu dezenas de cidades brasileiras a saírem às ruas em solidariedade aos atos do Movimento Passe Livre em São Paulo, na Revolta dos R$ 0,20, e reivindicando em cada cidade, as demandas contextuais.

Um dia antes do ato que reuniu mais de cem mil pessoas nas ruas na cidade e que resultou na morte do primeiro manifestante brasileiro desde o início dos atos, alunos e professores ocuparam a reitoria da UFMG depois que o reitor assinou um comunicado autorizando o uso do campus pela Força de Segurança Nacional, afim de garantir o afastamento dos cidadãos do entorno do estádio, em situação de ato manifestante. A reitoria voltou atrás do comunicado após a entrega de uma carta para o conselho universitário, que foi convocado e reunido ainda na noite de segunda-feira, depois da assembleia vespertina de mais de seis horas, lotada com a comunidade acadêmica. Os alunos ainda estavam lá, quando se realizou a quinta sessão da assembleia popular horizontal em baixo do viaduto Santa Tereza, ontem a noite.

Hoje, sábado de manhã, 29/06/13,  depois do impedimento dos cidadãos de acompanharem a plenária onde foi votada o projeto de lei 417/13, que reduziu em R$ 0,10 a tarifa e a recusa sobre duas emendas, sobre o mesmo projeto de lei que previa a abertura das contas e planilhas do transporte público de Belo Horizonte e redução de lucro das empresas e diminuição em R$ 0,25 na tarifa do ônibus. Além da votação, a violência da Guarda Municipal  e da segurança da câmara, que chegou a quebrar um vidro, motivou a ocupação da casa legislativa municipal, que havia fechado suas portas para que os manifestantes estivessem presentes na sessão. Portas e escudos da tropa foram tomados por corações vermelhos e amarelos ainda lá fora.

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11h, enquanto assisto a postv com a transmissão ao vivo da assembleia que se instaurou no hall da câmara municipal, o repórter Ninja vai até a entrada, porque parecia que o pessoal estava sendo barrado de entrar com mantimentos para os manifestantes. Reconheço amigos e amigas do fundo do peito e da luta aguerrida, o coração bate forte e uma delas, dias que dias atrás estava denunciando perseguição policial  que vinha sofrendo, diz: venham para cá, não sairemos enquanto o prefeito não vier conversar conosco.

As pessoas não param de entrar depois de uma revista leve. A notícia é de que ficaremos na câmara acampados. Foi convocada uma reunião da comissão de segurança na porta do banheiro. As pessoas não param de chegar. As pessoas não param de falar ao microfone, uma de cada vez, narrando injustiças, informes, apresentando a incongruência e invalidez de uma sessão pela manhã de sábado numa semana em que a cidade está em situação emergencial. Sugerem o conhecimento dos vereadores, de seu trabalho, de suas contas, de suas propostas. Outro amigo lembra que é importante lembrarmos da falta de representatividade de quem está nas cadeiras do governo. Sugere que hoje à noite aconteça uma assembleia popular na câmara municipal.

Depois da proposta da mudança do nome do viaduto, começam as defesas das dois lados da votação sobre se vai acontecer ou não a assembleia extraordinária ainda hoje. Mais um companheiro toma a voz e diz da falta de legitimidade e pouco tempo para mobilizar uma nova assembleia hoje, mas concorda que para segunda-feira pode ser muito tarde, e propõe o adiantamento da assembleia para amanhã, domingo, de manhã.

A postv continua lá e conversa agora com a comissão de alimentação que se esforça para conseguir 300 marmitas para o almoço. Solicitam também pão, biscoitos, água, enquanto eles deixarem as coisas entrar. Papel higiênico é o último item lembrado. Fica o pedido, um telefone de contato e a espera.

A assembleia se desfaz e formam-se diversas reuniões de comissões específicas. A luta continua.

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